sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O medo da chuva!

Sabe quando somos crianças e adoramos um dia quente de sol seguido de uma tarde chuvosa, pelo simples fato de que a chuva vem, não só para nos refrescar como, para nos proporcionar o prazer de um banho de chuva?

É disso que quero falar hoje...

Noite passada houve muita chuva no telhado, e houve um dia inteiro de sol quente. Mas não sei porque, como uma adulta não sai na rua e não me deliciei com a chuva caindo.

Prefiro acreditar que chuva é SIM para molhar e devemos SIM aproveitar, e não estou me referindo a economia na conta de água e luz.

Outro dia estava voltando para casa do supermercado acompanhada de uma amiga, que ficou assustada e acuada com a chuva e por isso saiu em disparada para não se molhar, continuei o caminho a passos lentos aproveitando as gotas, que não matam, de chuva que caíam sobre mim. Quando cheguei ela me esperava, com cara séria e um pouco molhada e logo me indagou: - Você está louca? - Não sei, mas me ocorreu que não deveria responder, não vali a pena.

Ontem a noite, ao ouvir a chuva cair, recordei-me do ocorrido, senti um aperto no peito, uma vontade de cair na chuva e dançar, fiquei com medo de ainda não ter crescido. E nem sei se deveria ter este medo.

Será que adulto não pode tomar banho de chuva? É errado? Faz parte de um dos sete pecados capitais? A igreja proíbe? Deus está vendo?

Bem, se é certo que Deus a tudo vê, sim ele deve estar olhando sim, mas e porque não dançar na chuva se ela está ali fora, esperando por uma alma caridosa que veja nela um cobertor coberto de doces gotas para refrescar a alma.

Ei sei que em tempos de enchente é estranho esta minha indagação, afinal, tudo o que estamos esperando é que não ocorra outra inundação, logo o que menos queremos é água caindo do céu.

Mas não é disso que estou falando não, é da ingenuidade, presente na criança e adormecida no adulto. Há muita infelicidade nisso não há?

Outra coisa que sei é que em dias que estamos saindo para trabalhar, para um compromisso outro e cai aquela chuva torrencial pensamos logo, puxa vou ficar todo molhado.

Mas não é disso também que falo aqui, falo do prazer de viver cada pequeno momento da nossa vida. A chuva em um momento descontraído não faz mal ao nosso corpo, pelo contrário, faz muito bem ao nosso coração, porque ascende em nós uma centelha da criança que fomos e ainda podemos ser, mesmo que as vezes, sem receio de ser ridículo ou infantil.

É, a chuva tem sim suas vantagens.

Mas claro, na próxima vez em que estiver acompanhada retornando para casa e a chuva cair, sei que ao caminhar em passos lentos, a pessoa que estiver ao meu lado sairá em dispara e me esperará com o mesmo rosto fechado secando as gotas que o atingiram e me perguntará: - Você está louca? - Novamento não sentirei vontade de responder...

...Afinal, é só secar...


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Das Paixões

Obra: El amor y la muerte da série Caprichos
Francisco Goya


Há muito este é um tema corrente no mundo e nas cabeças de cada um de nós. Será por sua magnitude, por sua ilusão, por sua utopia ou pela devastidão que causa. O que se esconde, enfim, por trás de sentimento tão nobre, mas ao mesmo tempo tão imprevisível. Certa vez li, num artigo de jornal, uma reportagem belíssima que descrevia a pesquisa de uma especialista na área de sentimento, a professora Cindy Hazan da Universidade Cornell de Nova Iorque, acredite existe esta especialidade que trata dos sentimentos incorrigíveis do amor, ela traduzia em palavras o que sentimos ao nos depararmos com este sentimento que nos assola há muito e que pouco o compreendemos na sua prática. Dentre os resultados apontados em sua pesquisa estava o efeito da paixão, que segundo a cientista dura de 18 a 30 meses, e que passado este período o que se tem é o amor. Já o amor segundo a cientista não dura mais do que 7 anos e que a partir de então o que se tem é convivência e hábito. Diz ainda a cientista que quando acometidos deste sentimento, de paixão, o casal experimenta reações próximas de uma patologia chamada na medicina de esquizofrenia. Isso assusta? A mim sim, mas segundo esta pesquisa o que nos ocorre no cérebro é a redução da necessidade de julgar o caráter, a personalidade e as emoções negativas do parceiro, em outras palavras, perdemos o senso de percepção espacial e temporal. A pesquisadora identificou algumas substâncias responsáveis pelo amor-paixão: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estes produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas durante as fases iniciais do flerte. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos, e toda a loucura da paixão desvanece gradualmente, a fase de atração não dura para sempre. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor, companheirismo, afeto e tolerância, e permanecem juntos. Posteriormente uma pesquisa britânica afirma que o período em que um casal parece viver em paixão dura dois anos, seis meses e 25 dias depois de se conhecerem. Segundo o estudo, conduzido pelo instituto britânico de pesquisas globais pela internet One Poll, é neste ponto de um relacionamento considerado normal que homens e mulheres começam a encarar o relacionamento como algo completamente garantido. Ambas as pesquisas registraram uma maior atividade no chamado ‘‘sistema de gratificação’’ do cérebro. Quando essas áreas são estimuladas, elas produzem sentimentos de euforia. As relações humanas empregam um mecanismo atrativo que supera a distância social, ao desativar as redes cerebrais usadas por emoções negativas e preconceitos. Esse mecanismo une os indivíduos ao ativar o sistema de gratificação, explicando, assim, o poder de motivação do amor. Nas palavras de quem sofre deste sentimento:

"Ele era louco e muito excitante, tirava meus pés do chão. Esta excitação está bem viva. Nós nos certificamos de que nossas vidas estejam sempre mudando". (Lisa)


Após este período o que fica é a pessoa e suas excentricidades, esquisitices e porque não dizer seus defeitos, sim, acredito que em algum momento percebemos que a pessoa é interessante, mas não completa, afinal, penso que não deva existir um ser humano completo, não somos como carros afinal, aonde podemos buscar originais de série e os acessórios mais completos. O que me intriga que está além de todas estas pesquisas é, o que nos move? O que nos atrai? O que nos motiva? O que vemos e desejamos e quando isso acontece? Estas indagações na devem ter respostas, ou logo alguma pesquisa é anunciada e minhas dúvidas serão sanadas. Considero-me uma observadora nata, e gosto de observar desde crianças a idosos, e quando me deparo com um casal apaixonado novas dúvidas sempre me ocorrem, é belo e ao mesmo tempo misterioso este sentimento. Esta semana acordou em mim uma nova dúvida, após assistir dois filmes que a princípio pouco tem em comum, mas que no meu olhar despertou um mesmo lugar de observação, os filmes são “Wall-E”, longa-metragem de animação da Pixar, dirigido por Andrew Stanton, que dirigiu anteriormente Procurando Nemo, e “Sombras de Goya” do diretor Milos Forman (Amadeus), conta a influência que Goya recebeu dos horrores da guerra e das pessoas com quem conviveu. Em ambos os filmes algum tipo de paixão se desenrola, seja em Wall-E a paixão de um robô por outra robô, cheio de pequenas descobertas e o extasiar de um beijo inesperado, ou ainda em Sombras de Goya, a paixão de uma prisioneira da inquisição por um padre que a usou e deu a ela uma filha que foi tirada dela antes mesmo de ela poder a ver. No primeiro o amor se concretiza e mesmo que não possamos conviver com o seu desenrolar temos em nosso plano de experiência o que se passa a partir de então, no segundo o final não se passa de forma tão positiva, o objeto amado, o padre, é morto mas o amor permanece, pelo menos nos momentos em que convivemos com ele no filme. A amante caminha ao lado do objeto amado desfalecido e sequer percebe que o mesmo nunca mais lhe dirigirá nenhum tipo de palavra ou ação, a amante está doente psicologicamente por isso não tem nenhum tipo de discernimento sobre o que ocorre. Será este o sentimento que nos acomete na paixão? Afinal de alguma forma nosso corpo toma um outro lugar no espaço, o lugar de viver intensamente, perdemos o medo e somos tomados por um desejo intenso de novas experiências e o prazer constante de estar com o parceiro. O que me ocorre neste momento é: o que se procede com as paixões não realizadas? Aonde se escondem estes sentimentos? Não encontrei nenhuma resposta em nenhuma pesquisa em nenhum artigo de jornal e muito menos em mim mesma, mas estou à espera, viver uma paixão é bom, tê-la por toda a vida deve ser melhor ainda, será?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Para aqueles com medo da solidão


Para aqueles com medo da solidão.

Prescrição:

Olhar para o lado e buscar o que houver de vida o mais próximo de seus olhos.
Se não houver, olhar para os lados e buscar qualquer coisa que lhe faça sorrir.
Se não houver, busque em algum lugar próximo um espelho e se mire nele com profundidade.
Se não houver, busque parar e olhar para dentro de sim com bastante cautela.
Se não houver, vá até o lugar mais próximo com pessoas circulando para todos os lados, e olhe para todos os lados.
Se não houver, pare, sente, descanse e reinicie.
E se ainda assim não houver, converse com seu pé.
Se o pé não estiver lhe agradando recorra aos joelhos, se este não tiver bom papo recorra as suas mãos, se elas não forem simpáticas olhe para seu umbigo, acredite, grandíssima parte de sua solidão está diretamente ligada a sua falta de comunicação com seu umbigo.

"um.bi.go - sm (lat umbilicu) 1 Anat Cicatriz, na região central do ventre, resultante da queda do cordão umbilical; apresenta-se, normalmente, como depressão arredondada, com pequenas pregas entrantes; às vezes, entretanto, forma uma saliência por processo hernioso. 2 Bot Depressão ou protuberância que se forma na laranja-da-baía, na parte inferior, semelhante à cicatriz umbilical; é causada por uma outra laranjinha embutida na primeira. 3 Qualquer depressão ou saliência de aspecto umbilical. 4 Ponto central; ponto de convergência. Var pop: embigo. U.-branco: espécie de cogumelo comestível. U.-de-boi: a) espécie de chicote ou rebenque; b) bengala revestida de couro. U.-de-freira: espécie de biscoito doce. U.-de-vênus, Bot: erva suculenta européia da família das Crassuláceas (Cotyledon umbilicus), que tem folhas redondas, peltadas, com uma depressão central; também chamada coucelo. Encolher o umbigo, gír: recuar, voltar atrás." (Dicionário Aurélio)

Delicadamente temos duas formas simples de comunicação com seu umbigo, quais sejam:
1) Espelho, olhar, mirar, respirar, forçar e deixar até aonde vai dar.
2) Sozinho, deitado, travesseiros sobre sua cabeça, olhar fixo e definido e deixar até aonde vai dar.

Necessário:
Seriedade e controle.

Solidão chama-se em nossos estudos o ato de estar consciente de sua própria solidão. Em palavras amenas, é estar sozinho consigo mesmo e ainda assim olhar ao lado e perceber que nada há em sua vida que lhe desperte interesse, afinal, a sua solidão não diz respeito a ninguém a não ser a você mesmo. Em palavras diretas, levantar o rabo da cadeira e fazer por você, o que só você pode fazer.

Se isso tudo lhe parece estranho e se nada disso lhe soar bem ao olhar, leia em voz alta, se ainda assim não lhe soar bem aos ouvidos, parabéns, você está em estágio avançado de solidão em grau extremo de isolamento.

Por precaução apaixone-se, este é o medicamento recomendado em casos extremos, apaixone-se pelo ser mais próximo que houver ao seu lado, como seu quadro é de grave isolamento, este ser deverá ser você mesmo. Portanto, bem vindo ao reino do umbigo, ele está com você, você com ele, e faça bom proveito.

OBS: Para pacientes que responderam positivamente ao tratamento é recomendado abrir as portas e deixar que a paixão tome conta de um real umbigo próximo que lhe interesse, qual seja, um parceiro(a) que lhe aprouver.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sobre o medo e seus segredos


Foto: Vê Domingos

Estava ela ajoelhada e olhou para o mar, além de conchas ela podia ver pequeninas pedras que corriam entre as conchas e juntavam-se ao mar, para novamente brincar. Pensando bem, ela estava no melhor lugar do mundo, ao que se possa imaginar nada estava além daquilo que seus olhos alcançavam. Se havia medo, era do desejo. Se havia medo, era do novo. Se havia medo, ela não morreria. Por isso o medo era o consolo, o consolo de uma vida inteira. Ela sabia que mesmo a vida inteira teria medo, mas ela não sabia que de medo a vida vivia pairando. No desalento, no desconsolo, no descortinar. Ela olhou para frente e o que podia ver eram as aves, as mais belas que seus olhos viram, não porque naquele dia estava acordada, mas porque naquele dia havia se acordado nela um desejo secreto de rever a vida, sem MEDO. O medo sabia se alojar no lugar mais recôndito daquele ser, e ela sabia que nada daquele medo passaria antes de o medo saber que ela sabia de sua existência. Ela travou conversa, de forma singela, para que o medo não se assutasse e se escondesse longe. Ele não se escondeu, para grande espanto e surpresa, ele não se escondeu, e foi além disso, ele dividiu com aquele ser, por hora escondido do medo, que o medo nada mais é do que a incerteza dos desejos. Ela olhou para suas mãos, olhou para o mar enorme e silencioso,olhou para as pequenas pedrinhas e viu que o medo das pedras estava em não poder participar do mar, por isso cada pedra corria ao encontro do mar para com ele poder brincar. No acalento daquelas palavras ela percebeu que daquele dia, e para todos os dias de sua vida, ela cuidaria de seus desejos como se fossem pequenas pedras querendo brincar com o mar.